Retorno ao Batente no Pós Guerra

Nossa, parece que acabei de voltar da guerra!

O fim de semana foi puxado… Começou com uma viagem super atrasada. Me programei pra sair por volta das 20h, mas por causa da conciliação de agendas de todos os que viajariam, conseguimos marcar para às 22h15. Como a viagem dura umas 2 horas, achei que por volta das 00h30 estaria dormindo. Doce ilusão…

Como sempre, as viagens atrasam por causa de inúmeros motivos: atrasos individuais, paradas em posto, farmácia, loja de conveniência, erros no caminho. Resumindo, fui dormir às 2h30 para levantar às 7h do dia seguinte para competir.

No primeiro período (manhã de sábado), corri a semifinal dos 100m. Larguei bem mal, mas consegui manter o terceiro lugar, perdendo para as duas meninas da Rede Atletismo. Pra quem não sabe, a Rede foi campeã no Troféu Brasil no geral masculino, e vice no feminino. Obviamente, os olímpicos (já classificados ou com potencial de qualificação) não estavam lá… tinham outras prioridades! Mas mesmo assim, a equipe é forte!!

Difícil foi aguentar o sol na cabeça a manhã toda. O sol e o clima super seco que estava lá!! Depois do almoço no alojamento, voltei para o segundo período – o que seria o mais cansativo pra mim! Corri a final do 100m e garanti o terceiro lugar! Olha só… um bronze nos 100m! Minha primeira medalha de 100m nos Regionais. (Em 2002, ganhei o heptatlo… mas eram outros tempos… não tinha a Rede!!).

Logo depois, sem tempo pra respirar, foi o salto em distância. Infelizmente, esta foi a minha pior prova em termos de colocação (7º), apesar de ser a prova para a qual mais me dediquei!

Pausa para reflexão: Por influência do meu técnico, o Xuxa, grande especialista na prova de salto em distância, um exímio atleta (desses excepcionais) e excelente treinador de altíssimo nível, acabei gostando da prova e tentei me especializar nela. Infelizmente, peguei uma época em que esta é a prova de nível mais alto no Brasil. Tanto que esta é a única prova em que temos 2 atletas com índice A para os Jogos de Pequim.

Saltei meus 4,96m, perdendo uns bons 20cm de tábua. Mas estava tão cansada que deu tudo errado… Não consegui correr, e muito menos saltar direito.

Bom, aí veio a boa surpresa do dia! No 4×100m, entramos com uma equipe completamente desfalcada. Originalmente, a Talita e a Lucilay eram titularíssimas, mas estavam contundidas, ambas com o posterior lesionado. Assim, entraram no lugar 2 meninas, e acabamos correndo, nesta ordem: Juliana (arremessadora de peso, e lançadora de dardo e disco), eu, Natalia (15 anos), e Ana Paula (15 anos). E não é que mesmo com um time reserva demos sorte (porque a Rede queimou a última passagem) e ganhamos o ouro!!! Pois é, o primeiro ouro em revezamento feminino na história de Americana, e a única medalha de ouro da equipe feminina em toda a competição! : ) Foi bem legal…

Acabamos o primeiro dia em terceiro, alguns bons pontos atrás da Rede e um pontinho atrás de Limeira. Entramos para o terceiro período na briga por um troféu. Aí era matar todo mundo para arrancarmos todos os pontos que podiam ser arrancados! Fui, completamente sem treino para isso, correr os 200m.

Para ajudar, a pista de carvão estava completamente estragada na largada dos 200m. E justo na minha raia, tinha um buraco cheio de areia. Ótimo para correr (alguém já tentou correr na praia?? Pois é… a minha raia estava assim). Depois da largada, dei um bom tiro de 140m. Entrei na reta só atrás das meninas da Rede. E aí, montaram os ursos nas minhas costas. Parecia que os 60 últimos metros dobraram de tamanho!! No final, acabei empatando em 5º com uma menina que correu na outra série.

Fiquei completamente destruída depois dessa prova, mas a equipe ainda precisou de mim para o revezamento 4×400m. Quem correu sabe o quanto é difícil correr um 400m depois de estar destruído de ter feito um monte de provas antes. Impressionantemente, corri razoavelmente bem… Muito melhor do que eu esperava (pegaram algo em torno de 1′06″), o que para aquela pista e para as minhas condições físicas foi ótimo. Infelizmente, sobrou um 5º lugar na prova.

E infelizmente, depois das contas, empatamos no geral com Rio Claro com 117,5 pontos. E no critério de desempate, perdemos o troféu.

Aí sempre bate aquela raivinha, aquela sensação de: “eu podia ter corrido melhor os 200m, eu podia ter saltado 5cm a mais, eu podia…”.

Mas é isso, tá aí graça de competir: a possibilidade de perder e de ganhar…

No masculino, o orgulho ficou por conta do meu irmão. Ele ganhou as únicas duas medalhas de ouro no masculino: no salto em distância (7,32m) e no salto em altura (1,90m). Ainda correu o 4×400m no sofrimento (assim como os outros meninos).

Depois disso, fim da guerra… Realmente parecia que eu tinha apanhado até não poder mais. Chegando em casa, dormi que nem um bebê.

E agora, de volta ao batente, estou só no aguardo da minha viagem olímpica!

~ por prikoo em 21 Julho, 2008.

2 Respostas to “Retorno ao Batente no Pós Guerra”

  1. Pri, parabéns pelas medalhas e pela raça!!! Eu cansei só de ler o seu texto.
    Beijos!

  2. Parabéns pra Família Olímpica!!!
    Té mais!!

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